segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo, gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça.. ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."

Caio Fernando Abreu
" (...) Senti como se alguém tivesse arrancado o meu coração e lançado do outro lado do quarto. Senti uma dor lancinante me queimar o peito e não tinha a menor ideia do que fazer para aplacá-la. Uma coisa era aceitar que eu não podia ter Dimitri. Outra coisa bem diferente era admitir que outra pessoa podia tê-lo."


Richelle Mead - Vampire Academy
"Talvez o mal é que a gente pede amor o tempo todo. Não se preocupa nunca em dar amor, sem esperar reciprocidade. (...) A gente tá se perdendo todos os dias, pedindo pra pessoas erradas. Mas o negócio é procurar. A gente não se recusar a se entregar a qualquer tipo de amor ou de entrega. Eu nunca vi por que evitar a fossa. Se a fossa veio é porque ela tinha que vir, o negócio é viver ela e tentar esgotar ela. A gente, quando tenta analisar qualquer problema, sempre vai aprofundando, aprofundando, até que chega nesse fundo que é amor sempre. (...) A gente sempre procura um amor que dure o mais possível. Procura, procura, talvez tu aches. Pra mim é horrível eu aceitar o fato de que eu tô em disponibilidade afetiva. Esse espaço branco entre dois encontros pode esmagar completamente uma pessoa. Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo, porque não agüenta o fato de estar sozinho."


Caio Fernando Abreu

domingo, 29 de agosto de 2010



' ...Há que se lutar pelos sonhos , mas há que saber também que quando certos caminhos se mostram impossíveis , é melhor guardar suas energias para percorrer outras estradas...' .

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói, é horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo: arde, depois passa. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta as dores da vida. Pense assim: agora está insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou, agora já são dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que há duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia.
Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já está lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo para ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius: "É melhor viver do que ser feliz". Porque para viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado para trás, cai. Dói, eu sei como dói. Mas passa. Está vendo a felicidade ali na frente? Não, você não está vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la para trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar, eu sei que vai.

domingo, 22 de agosto de 2010


'Imagine que você está a beira-mar e vê um navio partindo e você fica olhando enquanto ele for se afastando, cada vez mais longe até que finalmente aparece apenas um ponto no horizonte, lá onde o mar e o céu se encontram. e você diz:
- Pronto, ele se foi.
Foi aonde? Foi a um lugar que a sua vista não alcança. Só isso? Ele continua tão grande, tão bonito e tão importante como ele era quando estava perto de você. A dimensão diminuída está em você, não nele! E, naquele momento que você está dizendo "ele se foi", há outros olhos vendo-o aproximar-se, e outras vozes exclamando em jubilo:

- Ele está chegando ..'

' Quando você conseguir superar graves problemas de relacionamento, não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais esta prova em sua vida. Quando escapar de um acidente grave, não fique pensando no trauma que ele causou, mas no milagre que lhe ajudou a sair ileso. Quando saíres de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na bênção de Deus que permitiu a cura. Leve na memória, para o resto da tua vida, as coisas boas que surgiram no meio das dificuldades. Elas serão uma prova de sua capacidade em vencer as provas, e lhe darão confiança na presença Divina, que nos auxilia em qualquer situação, em qualquer tempo, diante de qualquer obstáculo. '

'Durante muitos anos esperamos encontrar alguém que nos compreenda, alguém que nos aceite como somos, capaz de nos oferecer felicidade apesar das duras provas. Apenas ontem descobri que esse mágico alguém é o rosto que vemos no espelho. '


Queria saber como tu estás com quem tu andas e o que está fazendo... Se ainda tem as mesmas manias, e se continua a ser essas coisas que tu demonstraste ser por todo esse tempo, as quais eu sinto falta. Muita falta, por sinal. Pergunto-me, como seria se nada tivesse mudado? E se o tempo não tivesse que passar? Eu tenho essa minha maldita mania de tentar amenizar situações, não deixando com que vejam o que fica, como fica, o que sobra quando tu vai, porque sim, quando tu some não sou nada mais do que, sobras. E fico aqui fingindo essa insignificância idiota e alimentando esse meu orgulho tolo que não me leva a lugar algum. Eu só queria saber como tu estás com quem tu andas e o que está fazendo... Não necessariamente nessa ordem. Vejo-te entrando em outros rumos, palavras novas, lugares novos, pessoas novas, pessoas novas, pessoas novas, repetidamente, pessoas novas... E tu lida com elas de certa forma diferente de como tu lida, lidava comigo. Às vezes, até mesmo demonstrando mais felicidade. Não que eu não tivesse sido avisada, alias, fui sim, e muito bem avisada. Mas sabe como é né? O ser humano e essa falsa ilusão de que um dia tudo se resolve. Que dia? Que ser humano? Quando, como e onde? Ficar acompanhando cada passo teu, cada coisa que tu diz, cada novo amigo que tu faz, é outra coisa que nunca vai me levar a lugar algum, como tudo que eu já fiz até hoje. É só mais uma cena pra ficar gravada, pra ficar doendo, pra ficar ali. E infelizmente, como tudo nessa vida, amor também tem limites.